Pedra Dura - Vera Ribeiro

Uma iniciativa Gira Discos

Sessão de Apresentação
Pedra Dura - Vera Ribeiro
24 de Fevereiro’08 16h00
Era Uma Vez No Porto...
Com a Participação musical da Banda Streya
"Depois de mil anos Satanás será libertado da sua prisão e seduzirá as nações nos quatro ângulos da terra e os congregará para a batalha. Doutorei-me em Psicologia e utilizava a minha doutrina para criar o meu rebanho. Inspirando a energia que eu libertava e expirando todas as dores que tinham dentro de si, porque eu era libertador. Tomei o poder sobre o povo e ele perdeu o medo, caminhando em direcção à luz e atravessando a porta, entrando num outro tempo. Um tempo que era só meu… e fiz do maior massacre de todos os tempos fogo-de-artifício. Fiz dela, que me amava, a única culpada e ninguém suspeitou que todas essas pessoas foram manipuladas em nome do Poder e que o cenário foi criado por mim, porque eu sou, tal como sabes, um anjo."
"Podemos perguntar por que razão a acção do romance se situa em África. A resposta é simples: a Vera nunca visitou este continente, no entanto, nutre um grande fascínio por esta terra encantada e de encantamentos. “Nasceu e viveu” espiritualmente neste canto do mundo através de alguém próximo da família que lá viveu talvez os seus piores dias e que, mesmo assim, lhe imprimiu e aumentou a vontade de conhecer o referido continente. Não o fez presencialmente, mas com a criação deste romance que será também uma viagem aliciante para qualquer leitor.Quanto ao fio condutor deste romance, as seitas religiosas, deve-se ao facto de, na sua família, conviver com esta realidade. Por outro lado, o acontecimento que motivou a escrita deste romance foi dos últimos suicídios em massa dos últimos tempos. Estes dois aspectos acabaram por unir dois interesses – o amor a África e a tentativa de compreender melhor o que leva as pessoas a aderir a seitas que se dizem defensoras e iluminadas por Deus e cometem atrocidades destas."
Dr. Francisco Pintado (Psicologo)

1 comentário:

fidel disse...

nunca pensei encontrar um espaço destes aqui perto de casa. é realmente algo de inovador e diferente. parabens!

FOUND IN TRANSLATION


"Recém-chegado e ignorando completamente as línguas do Levante, Marco Polo não podia exprimir-se de outro modo que não fosse com gestos, saltos, gritos de espanto e de horror, latidos ou berros de animais, ou com objetos que ia extraindo dos alforges: penas de avestruz, zarabatanas, quartzos, e dispondo à sua frente como peças de xadrez. De retorno das missões a que o enviava Kublai, o engenhoso estrangeiro improvisava pantominas que o soberano tinha de interpretar: uma cidade era designada pelo salto de um peixe que escapava ao bico do albatroz para cair numa rede, outra cidade por um homem nu que atravessa o fogo sem se queimar, uma terceira por uma caveira que apertava entre os dentes verdes de bolor uma pérola cândida e redonda..." [Calvino, Italo, in As Cidades Invisíveis, 1965] Lugar num Passeio, que se diz[ia] Alegre... por entre o rio d'Ouro e o mar Atlântico, acolhido em setembro de 2005 pela Cidade do Porto: o *Era uma vez no Porto...* não foi contado, nem escrito por Marco Polo, nem traduzido por Kublai, mas podemos [bem] imaginar os símbolos que estes usariam para o descrever... Lugar de mil músicas, mil conversas, reflexões, mil revoluções, amizades, muitos mais amores, mil artes...


Ao nível do mar subiam-se uns degraus; uma sala familiarmente musical recebia os seus viajantes em ambiente aquecido, pronta a servir alguns apetites...


Durante 3 anos acolheu sonhos, em forma de tatuagens, bicicletas, brincos, batons, candeeiros, carpetes, vinis, livros, bonecas, tesouras de cabeleireiro, pinturas, vinho, fotografias, ilustrações, entre muitas outras, que se foram revelando, crescendo, multiplicando, e, também [não fosse este um lugar real], enfraquecendo e morrendo até.


Um certo dia, inevitavelmente, a declaração "a brisa do mar levou-me ao Centro de ti..." transportou o *Era uma vez no Porto...* para o lado mais urbano do coração da Cidade, em busca e em apoio de uma revitalização da Baixa que se anunciava. Ali se instalou, sob um olhar atento de uma Torre de Controlo - a bela e amada Torre dos Clérigos. "Grande responsabilidade", dizia quem espreitava da varanda e sentia, de imediato, o calor daquela que acolhia e recebia uma nova vida no seu tempo, mas também a atitude daquela que também vigia e supervisiona quem tem uma missão importante a cumprir....


Enquanto os ponteiros rodam... as histórias vão continuando a acontecer, as pessoas vão dançando, saltando, gritando, gesticulando, simplesmente comunicando.


Fica a memória, e os sinais que ela preservou, fazendo de todos nós um Marco Polo em modo de tradução.